segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Uma Questão de Identidade - Martha Medeiros

Desde que a Lei do Divórcio entrou em vigor no Brasil, em setembro de 1977, as mulheres não são mais obrigadas a trocar de sobrenome quando casam. Porém, 30 anos depois desta conquista, a maioria continua a adotar o sobrenome do marido, e só depois da lua-de-mel é que vão se dar conta de que trocar de identidade não é mais tão simples quanto foi para nossas avós.
Antigamente mulher tinha dono. Primeiro o pai, depois o marido. Era comum obedecer ordens num mundo regido somente por homens, e herdar o sobrenome da família deles era uma convenção facilmente assimilável. Hoje muita coisa mudou, mas essa convenção permanece intacta na maior parte dos casamentos. Trocar o sobrenome continua sendo uma providência matrimonial tão automática quanto escolher a igreja ou comprar as alianças. Terminada a cerimônia, a noiva guarda um vestido e um nome que nunca mais serão usados, como se num passe de mágica ela houvesse se transformado em outra pessoa.
Pense um pouco. Esposa não é um bem de consumo que se possa registrar em nome de alguém, como se faz com um apartamento ou um carro. Todo casal que planeje construir uma relação estável sabe que a fórmula "dois em um" está falida, e está partindo para a fórmula "um mais um". Cada um com sua individualidade, sua profissão, seus amigos de infância. O amor só ganha com isso. E, se por uma falta de sorte, o amor terminar, e com ele o casamento, o recomeço será doloroso, mas bem menos complicado. A burocracia para refazer RG, CIC e passaporte é desanimante.
Nosso nome é um patrimônio, uma marca registrada. Qualquer empresa sabe que trocar o nome de um produto é arriscado: pode acarretar a perda da imagem e dos clientes já conquistados. Com as pessoas é a mesma coisa. Profissionais liberais carregam junto ao seu nome o prestígio alcançado em anos de carreira. Imagine o Dr. Ivo Pitanguy transformando-se em Ivo Menezes, assim, de um dia para o outro. Você entregaria seu lindo narizinho na mão desse desconhecido?
O sobrenome é uma parte da gente que não merece ser amputada. No mínimo, é um bom exemplo para os filhos, que já nascem sabendo que mamãe e papai têm a mesma importância. Democracia se aprende em casa.
Tudo isso pode não ser romântico, mas é prático, sensato e até excitante. Seu marido estará indo para a cama todo dia com uma mulher que não é propriedade sua. Se você está para casar, seja bem exigente nos quesitos respeito, paixão, carinho, sexo, afinidades. Mas não queira nada dele que já não seja seu.


====





Meninas,

Sei que o tema é polêmico, mas um pouco de pimenta não faz mal a ninguém, né??? rsrsrs
Respeito todas as opiniões. Sei que 95% das meninas adotam o sobrenome do marido, mas euzinha não vou mudar o meu. Não sei, desde nova tenho essa opinião bem formada, acho que foi influência da minha mãe.

Esse tema é looooooongo. De repente eu volto a escrever mais sobre isso.

Por agora fiquem só com esse texto delicioso da Martha Medeiros. A-D-O-R-O os textos dela! Já separei outro texto dela sobre casamento para postar aqui amanhã!


bjs


PS: Duas fotos para enfeitar!








6 comentários:

centraldasnoivas disse...

Posso discordar???
rsrs...
Pelo que pude entender do texto, a Martha justifica sua teoria baseando-se na possibilidade do casamento acabar e, na dificuldade que seria trocar todos os documentos. Achei a teoria muito superficial. Não creio que adotar o sobrenome do marido signifique que somos propriedades, aliás, eu até agora nunca havia pensado nisso, de tão banal que acho que seja essa questão.
Na minha opinião um casamento é muito mais do que isso, muito mais do que uma troca de alianças, um documento assinado, ou até mesmo uma troca de sobrenomes, da mesma forma que não acredito que a fórmula dois em um esteja falida: "Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem."
A fórmula está correta, mas é a dureza dos nossos corações, nosso orgulho, que fazem com que ela não funcione, aí é mais fácil colocar a culpa na fórmula.
Bem, realmente é uma questão bem apimentada, rsrs... mas gostei do assunto!!!

Beijokasss,

Livia

Renata disse...

Concordo.
Eu vou continuar sendo Renata Brandao Pinto.

bjs

Raquel, a noiva... disse...

Olá, Adorei este post e fiz um especialmente falando disso. Passa lá pra ver!

Beijos

Luciana disse...

Concordo c a Martha.
Um nome não diz absolutamente nada.... Não é o trocar ou deixar de trocar que vai fazer um casamento ser eterno ou não. Em nenhum momento entendi no texto da Martha não trocar o nome pela possibilidade do casamento acabar.
Na minha opinião (minha, é claro, cada um tem a sua e todas devem ser respeitadas, acho desnecessário ter que trocar o nome. Para que? AInda não me convenci o pq disso. Passei anos e anos da minha vida com um nome e de repente tenho que trocar, mudar tudo.... Pq? Qual o propósito?
Ainda bem que meu noivo concorda comigo. Nossos filhos levarão os nomes de nossas famílias.
Continue postando texto assim reflexivos, são ótimos.
Bjs

beijodepracinha disse...

Gostei da discussao. Mas nao concordo muito nao. Acho que o que a Livia escreveu esta otimo. Mais profundo do que "da trabalho trocar documentos em caso de separacao". Sei la, pra mim a minha identidade vai muito alem do sobrenome. sobrenome e so uma parte dela, que eu ta vou manter. Eu nao ia mudar, mudei de ideia porque isso é importante pro meu noivo. Nao, ele nao me impos absolutamente nada. Partiu de mim mesmo, como uma especie de prova de amor que ele recebeu emocionado. Vou mesclar o meu com o dele. Decidi assim porque acrescentar um sobrenome nao vai fazer ocm que eu deixe de ser eu mesma. Profissionalmente vou continuar assinando o sobrenome de solteira (o que derruba o argumento da Martha sobre o Pitanguy). Enfim... Há casos e casos. O importante e que a motivacao seja consciente e sem imposicoes.

Orlando e disse...

Meu noivo e eu vamos colocar o sobrenome um do outro, ele e eu tinhamos só um sobrenome e gostamos do resultado.

Bia, adorei o seu blog, me caso em 10/04/2010... estou adorando suas experiências, apesar que decidi me casar em Outubro, veja como as coisas pra mim foram corridas, mas graças a Deus estou tranquila e os preparativos estão correndo bem.

Beijos, Paulinha